realidade-paralela:

Estava isolado, e principalmente desolado. Era um daqueles momentos em que o chão desaparece e passamos dias em queda livre rumo ao desconhecido. Pura incerteza.
- O que foi? - perguntou uma amiga.
Teve que pensar numa resposta.
- Não sei exatamente.
Ela esperou por uma resposta decente em silêncio. E permaneceu assim até que ele falasse.
- Eu só queria um pouco de felicidade.
Estava explicado.
- Eu tenho tudo aquilo que alguém precisa pra ser feliz. Uma casa, uma família que me ama, tenho meus amigos, mas mesmo assim parece não ser o bastante…
- Isso passa logo - respondeu a amiga, numa tentativa de consolá-lo.
- Acho que não. Eu passei a vida inteira assim. Só agora me dei conta.
- Não é pra tanto, poxa.
- É sim. Não quero viver a vida em piloto automático.
- Então por que simplesmente não tenta encontrar a felicidade?
- Eu nem sei onde procurar…
O silêncio reinou por alguns instantes, assim como uma busca incessante por uma resposta.
- Já procurou em si mesmo?
Ele fez cara de desdém.
- Como é?
- Se tem uma coisa que eu aprendi é que muitas vezes o que procuramos está mais perto do que imaginamos. Ser feliz não significa, necessariamente, encontrar a felicidade nas pessoas, mas encontrar um motivo em si mesmo para ser feliz.
- Como se matar de estudar por medo de repetir o ano?
- Algo muito mais grave que isso. Como o medo de chegar ao fim da vida e se dar conta de que ela não valeu a pena.
- É isso o que acontece comigo todas as noites. Ontem eu deitei a cabeça no travesseiro e não consegui enxergar motivo algum que tenha feito o meu dia valer a pena.
- Talvez ele não tenha valido mesmo.
- É claro que não.
- Então faça valer.
- Mas como?
- Se vira. Não é problema meu.
Ela se levantou.
- Você quer ser feliz? Ótimo. Corra atrás disso.
- Não é tão simples.
- E o que é simples? (Henrique Dias)

realidade-paralela:

Estava isolado, e principalmente desolado. Era um daqueles momentos em que o chão desaparece e passamos dias em queda livre rumo ao desconhecido. Pura incerteza.

- O que foi? - perguntou uma amiga.

Teve que pensar numa resposta.

- Não sei exatamente.

Ela esperou por uma resposta decente em silêncio. E permaneceu assim até que ele falasse.

- Eu só queria um pouco de felicidade.

Estava explicado.

- Eu tenho tudo aquilo que alguém precisa pra ser feliz. Uma casa, uma família que me ama, tenho meus amigos, mas mesmo assim parece não ser o bastante…

- Isso passa logo - respondeu a amiga, numa tentativa de consolá-lo.

- Acho que não. Eu passei a vida inteira assim. Só agora me dei conta.

- Não é pra tanto, poxa.

- É sim. Não quero viver a vida em piloto automático.

- Então por que simplesmente não tenta encontrar a felicidade?

- Eu nem sei onde procurar…

O silêncio reinou por alguns instantes, assim como uma busca incessante por uma resposta.

- Já procurou em si mesmo?

Ele fez cara de desdém.

- Como é?

- Se tem uma coisa que eu aprendi é que muitas vezes o que procuramos está mais perto do que imaginamos. Ser feliz não significa, necessariamente, encontrar a felicidade nas pessoas, mas encontrar um motivo em si mesmo para ser feliz.

- Como se matar de estudar por medo de repetir o ano?

- Algo muito mais grave que isso. Como o medo de chegar ao fim da vida e se dar conta de que ela não valeu a pena.

- É isso o que acontece comigo todas as noites. Ontem eu deitei a cabeça no travesseiro e não consegui enxergar motivo algum que tenha feito o meu dia valer a pena.

- Talvez ele não tenha valido mesmo.

- É claro que não.

- Então faça valer.

- Mas como?

- Se vira. Não é problema meu.

Ela se levantou.

- Você quer ser feliz? Ótimo. Corra atrás disso.

- Não é tão simples.

- E o que é simples? (Henrique Dias)



Tenho mania de ler revista de trás pra frente.


Se não for você, eu não quero ninguém.


  • Ele: Feliz dia das mães.
  • Ela: Eu ainda não sou mãe.
  • Ele: Mas um dia vai ser.
  • Ela: Um dia.
  • Ele: Mas será.
  • Ela: E daí?
  • Ele: Só estou me antecipando.
  • Ela: Se antecipando em que?
  • Ele: Em desejar feliz dia das mães para a futura mãe dos meus filhos.



realidade-paralela:

Um dia frio com o céu nublado e o vento forte. Uma casa vazia, toda fechada e totalmente em silêncio. Um quarto escuro, com as janelas trancadas por dentro e a porta entre-aberta, deixando entrar uma pequena porçãozinha de luz. Duas taças de vinho (vazias) na mesinha de cabeceira e um abajur bem fraquinho ligado do lado. Uma cama muito gostosa e confortável. Um cobertor bem quentinho e macio. Você dentro dele. Nós dois de conchinha, inseparáveis. Carinhos nos cabelos, palavras de amor sussurradas nos ouvidos… E a carência lá do lado de fora, sentindo na pele o quanto é ruim ficar só. (Henrique Dias)



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